domingo, 29 de março de 2009

Invasão Persa

Muito se tem falado da cinematografia da Índia por causa da novela "Caminhos da Índia" e pelo filme ganhador do Oscar "Quem Quer Ser um Milionário", mas eu resolvi comentar sobre a cinematografia de um país que já esteve bastante em voga aqui no Brasil e agora deu uma sumida, no caso o Irã, cujos filmes são obras-primas para alguns e soníferos para outros. Por sorte só mais recentemente tenho tido oportunidade de ver alguns filmes iranianos depois que passou a onda de crianças e mulheres de xador nos cinemas brasileiros, pois eu tenho a convicção que com um maior distanciamento dá para ter uma visão mais independente.

Zapeando pela TV esses dias acabei passando pela TV Futura que transmitia o iraniano "O Voto é Secreto", nesse filme uma espécie de mesária itinerante sai por uma determinada região do país recolhendo votos pra eleição iraniana e se depara com várias dificuldades, entre elas a descrença da população com a política, a ignorância e ainda o preconceito contra sua condição de mulher em uma sociedade muçulmana. O filme, assim como a maioria das películas daquele país é contemplativo, trabalha muito com figuras de linguagem e não se preocupa com agilidade, talvez por esse motivo a platéia ocidental totalmente viciada em filmes com estética de videoclipe venha a penar um pouco ao acompanhar a saga da moça percorrendo uma vila remota com sua urna eleitoral, mas pode ter certeza que ninguém sai indiferente ao filme, não tem final surpresa, redenção, nada desses apelos Hollywoodianos, apenas uma câmera seguindo personagens realistas, de forma quase documental, sem se envolver e sem manipular a platéia e dando uma lição de humanidade.

Toda a cinematografia do Irã tem esse tom que lembra o neo-realismo, época em que a Itália do pós guerra tentava juntar os cacos e produziu filmes como "Ladrões de Bicicletas" de Vittorio de Sicca em que denunciavam a falta de oportunidades e a marginalização dos pobres, com pouco dinheiro e atores não profissionais selecionados entre a própria população. Da mesma forma, ainda que com sutilezas os cineastas iranianos conseguem criticar as convenções a que estão expostas a população pobre de seu país, machismo, pobreza, alienação, falta de oportunidades, anacronismo da sociedade, preconceito contra minorias. Em Filhos do Paraíso, filme mais conhecido da região, indicado ao Oscar e exibido de vez em quando nas madrugadas da Rede Globo, temos as crianças que precisam correr por um sapato, em "A Cor do Paraíso nos emocionamos com a saga do garoto cego, que é super esperto e sensível mas passa a ser um problema pro pai que quer se casar outra vez, no seguimento Iraniano do filme em episódios "11 de Setembro", uma professora tenta explicar aos seus alunos sobre o desabamento de um prédio do outro lado do mundo quando alguns nem sabem o que significa a palavra prédio, são vários os problemas que aos olhos ocidentais podem parecer ingênuos ou simples de resolver mas que pode ser uma tragédia para pessoas que vivem em condições precárias, se eu tivesse um jarro e ele quebrasse eu simplesmente iria ao mercado e compraria outro mas pense um grupo de crianças no deserto que precisam desse jarro para colocar a água que bebem na escola. Alguns desses cineastas ousam tocar até mesmo em temas tabus na sociedade islâmica, claro que não é de forma direta, precisam de metáforas e quem vê seus filmes necessita de uma visão um pouco mais apurada e imaginação para compreender seus jogos. Por Exemplo, em "Gosto de Cereja", um homem passa o filme todo procurando por alguém que o ajude a cometer suicídio, muitos críticos aventaram a hipótese de que ele fosse homossexual, mas o diretor desse filme nunca confirmou a informação e nada no filme pode dar a certeza disso. Em "O Voto é Secreto" no final temos a impressão que o soldado se apaixonou pela garota responsável pelo recolhimento dos votos, mas pode ser só uma impressão, ou não.

Por mais que essas realidades pareçam por demais distantes dá pra fazer uma analogia com a nossa, quantos no nosso país não vivem abaixo da linha de pobreza? Quantos por esses rincões nunca tiveram acesso e talvez nem tenham a coisas simples para nós da cidade como uma televisão ou mesmo comida? Se o machismo fosse coisa do passado a Lei Maria da Penha precisaria existir? Pegando "O Voto É Secreto" especificamente e trazendo pra nossa realidade é de se raciocinar quanto esse país não está contaminado por uma falsa ou equivocada noção de democracia, um país onde o coronelismo, se não é ainda tão forte, ainda não acabou. Onde muitos ainda trocam o voto por um chapéu ou um par de botinas. Então vamos assistir aos filmes que vieram do outro lado do mundo e antes de julgar, condenar ou menosprezar a realidade daquele povo vamos ver o quanto não temos que fazer de faxina em nossa própria casa.

Filmes que vi:

Como essa semana que passou eu vi um monte de filmes e fiquei com vontade de escrever sobre eles, resolvi fazer um resumão como costumava fazer no inicio desse blog.

Velocidad Funda al Olvido - Filme argentino, mais um que aparentemente procura passar a limpo os tempos da ditadura, não é ruim, mas às vezes um pouco confuso, nem sempre ele deixa claro qual caminho quer seguir e o protagonista não tem empatia suficiente, diferente da personagem da garota espanhola que o ajuda em sua via-crúcis a procura de sua mãe na Espanha, ela consegue roubar a maioria das cenas.

Dia dos Namorados Macabros 3D- A Tecnologia 3D é interessante, mas só isso não resolverá a fuga do público do cinema, ou investem em bons roteiros ou o 3D será apenas um paliativo de efeito curto, vale lembrar que esse efeito já tinha sido usado de forma mais precária nas décadas de 50 e 80 e parece gostar de ressurgir de tempos em tempos como o Jason( que aliás também teve seu filme 3D em Sexta Feira 13 parte 3). Revi também o Dia dos Namorados Macabro original de 1981, é um dos bons produtos slasher da época. A história? Alguém se importa?

Motivos Para no Enamorar-se - Outro filme argentino, estava tendo uma mostra no Espaço HSBC em São Paulo, garota com problemas em se relacionar com os homens se envolve com cara com mais que o dobro de sua idade, nossos hermanos mostram que sabem fazer uma boa comédia romântica, é um filme leve e divertido mas não é raso como um filme da Meg Ryan.

Quem Quer Ser um Milionário? - Esse todo mundo sabe qual é, o ganhador do Oscar desse ano, uma celebração do cinema de Bollywood, dirigido pelo moderninho e eclético (vou usar essa palavra mesmo não gostando dela) Danny Boyle, diferente da maioria eu gosto das obras Hollywoodianas do Boyle, “A Praia” não é o lixo todo que pregam e “Por Uma Vida Menos Ordinária” é um filme bem divertido, mas reconheço que ficam bem aquém dos geniais “Trainspotting” e “Cova Rasa” seus filmes anglicanos mais famosos e foi só ele volta a filmar na Europa para nos dar outro trabalho excelente com “Extermínio”. Esse seu novo filme tem todos os elementos já conhecidos do diretor, edição ágil, trilha sonora bacana e um personagem principal que come o pão que o diabo amassou. Se não é seu melhor filme pelo menos serviu pra seu trabalho ser reconhecido pelo Oscar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

JCVD

O que esperar de um filme de Jean Claude Van Damme?Explosões, Pancadaria, más atuações? O baixinho belga, contrariando a tradição de filmes artísticos do continente europeu, fez sua fama atuando como herói em filmes Hollywoodianos de baixo orçamento cujos principais atrativos eram as lutas. “O Grande Dragão Branco”, ”Duplo Impacto”, “Retroceder Nunca, Render se Jamais” foram responsáveis por inscrever seu nome no hall dos grandes nomes dos filmes de ação dos anos 80 e 90, junto com Schwarzenegger, Stallone, Bruce Willis e Steven Seagal. O ator chegou a trabalhar no primeiro filme em Hollywood do grande mestre de ação de Hong Kong, John Woo, com o um pouco decepcionante “O Alvo”. O problema é que enquanto os três primeiros atores citados deram um jeito de não serem esquecidos, seja seguindo carreira política (Schwarzenegger) ou tentando seguir carreira mais séria (Bruce Willis), Van Damme, talvez por não ter uma visão muito de futuro ou por falta de talento artístico mesmo, acabou se restringindo a certo tipo de papel que perdeu espaço na entrada do novo milênio, o do exército de um homem só. Claro que ele não está sozinho, Steven Seagal, Dolph Lundgren, Chuck Norris e outros atores de filmes de ação também foram pelo mesmo caminho. O certo é que há mais ou menos uns 10 anos Van Damme não vem fazendo nenhum papel memorável e a maioria de seus filmes tem sido lançados diretamente no mercado de vídeo, se não me engano desde o distante ano de 1999 com “Inferno”, em que contracena com o saudoso Pat ‘Karate Kid’ Morita, nenhum de seus filmes foram lançados no cinema aqui no Brasil, daí em diante foi sempre ladeira abaixo, tendo inclusive protagonizado uma cena constrangedora aqui no Brasil ao participar do programa “Domingo Legal” usando uma calça apertada, ficou excitado com os rebolados de Gretchen e o resultado vocês podem imaginar. Vale destacar que as salas de cinema não vinham perdendo grande coisa esse tempo todo, caso algum corajoso queira conferir, as obras- primas Replicante, Hell e A Irmandade são muito fáceis de serem encontradas nas locadoras.

O caso é que o ator finalmente percebeu que sua carreira tinha ido pelo ralo e resolveu fazer esse filme intitulado JCVD, uma falsa autobiografia, que deve ter servido para que Jean-Claude Camille François Van Varenberg, mais conhecido como Jean Claude Van Damme, ou simplesmente Van Damme exorcisasse alguns fantasmas. Uso de drogas, decadencia, baixa qualidade de sua filmografia, talvez alguma coisa com seu país de origem, problemas familiares ele não se exime de expor nada de sua trajetória. A história gira em torno de Van Damme, desta vez não um personagem, mas ele mesmo, um ator decadente, cansado, se humilhando para conseguir um papel e lutando na justiça pela guarda de sua filha, um dia ele vai em uma agencia do correio e acaba se tornando refém em um assalto. Daí pensamos: agora ele vai mostrar tudo que ele conhece de artes marciais e vai salvar o dia. Nada disso, ele não pratica nenhum ato de heroísmo, por um engano a policia acredita que ele é um dos assaltantes pois por ser conhecido ele é que intermedia as negociações entre policia e criminosos. Para mostrar que nao e só mais um filme de Van Damme ele chega a se aproveitar da situação para extorquir dinheiro para pagar seus advogados o que lhe destina um fim inglório. Mesmo com todo esse drama o filme tem algumas cenas de humor como a que o advogado da mãe de sua filha começa a listar os tipos de mortes que ocorrem em seus filmes e quando ele descobre que um dos papeis que ele estava batalhando foi passado ao Steven Seagal já que esse tinha concordado em cortar o rabo de cavalo. Enquanto assistia me lembrei de um outro filme: Filho de Chucky onde Jennifer Tilly também faz seu próprio papel e não tem medo de se auto parodiar aparecendo como uma “atriz que foi indicada ao Oscar e que agora tem que se contentar em transar com um boneco”, não lembro de outros filmes que sigam esse rumo já que é mais comum atores fazerem uma avaliação de sua carreira com algum personagem de ficção e não interpretando a eles mesmo.

JCVD é provavelmente o filme do astro com menos cenas de ação, ele chega a fazer um monologo de uns 6 minutos onde comenta os aspectos negativos de sua carreira, Van Damme aparece aqui de alma lavada, alguém que cometeu muitos erros na vida mas que apenas quer seguir sua vida e fazer seus filmes, talvez seja uma oportunidade para a reinvenção do ator que já foi conhecido como “Os Musculos de Bruxelas” e acreditem se quiser, teve que escolher entre seguir carreira em filmes de karatê ou em uma companhia de balé, ninguém espera que ele esteja na próxima montagem de Hamlet de algum teatro londrino, mas Robert Downey Jr e Mickey Rourke estão aí para mostrar que com boa vontade um ator pode recuperar o tempo perdido. Mesmo que esses dois atores tenham talento muito superior a Van Damme nada impede que trabalho com bons diretores e melhores roteiros possa torna-lo um ator mais respeitado na indústria. Quem sabe o grande ressuscitador de carreiras, Quentin Tarantino , não possa resgata-lo do limbo dos astros esquecidos como fez com Pam Grier, Robert Foster e John Travolta. Não custa sonhar, não é?


Por onde andam os astros de ação dos anos 80 e 90?
Sylvester Stallone – Franquias: Rambo (6 filmes), Rocky (4 filmes). Depois de um período de vacas magras acabou conseguindo sucesso reencarnando seus principais personagens, Rocky e Rambo, e até que teve bons resultados. Trabalha em um projeto intitulado “Os Mercenários” que reuniria os grandes astros de ação e que inclusive, Van Damme se recusou a participar por ter achado o projeto muito comercial. Esse filme terá cenas no Brasil e parece que uma atriz brasileira irá participar.

Arnold Schwarzenegger – Franquias: Exterminador do Futuro(3 filmes), Conan(2 filmes). Hoje é governador da California. No cinema só participações como em Mercenários, onde aparece como ele mesmo em uma ponta. Recusou participar de Exterminador do Futuro IV para não atrapalhar suas obrigações como governador. Conan também está sendo refilmado mas ele não está envolvido.

Bruce Willis – Franquia : Duro de Matar (4 filmes). Esse é fácil, conseguiu se firmar como ator sério e sabe combinar filmes comerciais como a quarta sequencia de Duro de Matar com escolhas mais criteriosas como Nação Fast Food ou Sin City.

Steven Seagal – Franquia: Força em Alerta(2 filmes). Continua fazendo seus filminhos, nada de muito significativo, anda precisando de uma renovada também. Segundo o Wikipédia ele também é ativista de temas ambientais.

Chuck Norris – Franquia: Braddock(3 filmes) e o seriado Walker Texas Ranger(9 incríveis temporadas). Um texto o reverenciando por sua indestrutibilidade é hit na internet, e sua série Texas Ranger ainda costuma ser reprisada até hoje em vários canais, mas o ator também também não está com essa bola toda, tanto que não foi nem cotado para o novo Braddock.

Christopher Lambert – Franquia: Highlander(4 filmes) e A Fortaleza(2 filmes). Sempre foi um ator um pouco mais versátil que os demais. Esteve recentemente em “O Fim do Mundo” do diretor de Donnie Darko, Richard Kelly.

Lorenzo Lamas – Franquia: Esquadrão Cobra (3 filmes) e o seriado Renegado(5 Temporadas)O Único que tinha pais famosos, filho do argentino Fernando Lamas, galã latino em vários filmes de Hollywood e da atriz Arlene Dahl ele começou seguindo outro rumo com um personagem praticamente sem falas mas com alguma relevancia em Grease e como galã da Soap Opera Falcon Crest(uma daquelas novelas americanas interminaveis), mas depois que descobriu que tinha futuro como ator de ação ele não largou mais. Segundo o IMDB seu próximo filme tem o sugestivo título de Mega Shark vs. Giant Octopus, apesar da megalomania do titulo não esperem muita coisa.

Dolph Lundgren – Não encabeçou nenhuma franquia e ficou mais conhecido pelos papeis de vilão em Rocky IV e Soldado Universal. Poderia ter encabeçado uma franquia se os filmes Mestres do universo, adaptação do desenho do He-Man ou O Justiceiro, adaptação de um história em quadrinhos que foi recentemente readaptada, não fossem tão podreiras. Está no filme do Stallone que citei e recentemente numa pesquisa relevantíssima descobriu se que é o ator que mais matou pessoas em filmes, num total de 662. Desbancou todos os candidatos acima.

Esses eram os mais importantes e os mais fáceis de achar informações na net. Para não me chamarem de machista ainda tentei descobrir o paradeiro de Cynthia Rothrock, o único nome feminino de filmes de ação que me veio a cabeça. Mas não descobri. Quem quiser ajudar.



domingo, 27 de julho de 2008

Cinderela Baiana

Carla Perez apareceu para o cenário nacional dançando no grupo Gera Samba, um grupo que não parecia ser nada mais do que mais um das centenas que a Bahia produz todo ano pros carnavais, e não era mesmo, porém a indústria fonográfica vendo cheiro de dinheiro resolveu trazer alguns desses grupos para as luzes da ribalta e nessa época a TV foi invadida por grupos como Companhia do Pagode, Gera Samba entre outros. O forte dessas bandas eram músicas descartáveis e erotizantes geralmente com duplo sentido como "Boquinha da Garrafa", "É o Tchan", "Dança do Bumbum" e por aí vai. Além dos “cantores” eram compostos sempre por dançarinas de shorts minúsculos e Carla Perez era apenas mais uma delas que sabe se lá por qual motivo foi alçada a condição de "estrela". Se destacando mais do que o restante do grupo resolveu sair para tentar a sorte em outras empreitadas, não sem antes o grupo promover um concurso para a escolha da nova loira do Tchan em rede nacional no programa do Faustão.

Ela até conseguiu emplacar um ou outro projeto, um deles foi um programa de televisão onde disse que escola se escrevia com i, mas seu mais inusitado trabalho foi protagonizar um filme que entrou para os anais da produção nacional, sabe se lá quem foi o esperto que achou que ela podia atuar no cinema e convocou o diretor Conrado Sanchez para dirigi-la, diretor com um currículo invejável diga se de passagem, sua página do IMDB parece mais uma folha corrida de delegacia com títulos como "A menina e o Cavalo", "A menina e o estuprador" e "Como afogar o ganso". Sobre o filme, intitulado Cinderela Baiana, conta a história de uma garota pobre do sertão cujo pai muda pra Salvador para trabalhar em um escritório de contabilidade. O filme se divide em duas fases, a primeira lembra um "Vidas Secas" mal dirigido ou um "Dois Filhos de Francisco" com orçamento menor, que me desculpem os responsáveis por esses filmes pela comparação. Acompanhamos a infância da garota correndo atrás para ganhar uns trocados tapando buracos pros motoristas na estrada, sua mãe está doente e seu pai tem que ir pra cidade trabalhar, ela adora dançar e não pode ouvir uma música que começa a requebrar, mas ainda tem que ajudar a mãe a tentar conseguir esmolas para comer. A cena mais dramática (ou pelo menos é o que tentaram passar) se dá quando a mãe tem a pá destruída por um garoto maldoso e grita um não sentido que ecoa por toda a cidade. Sabe se lá se por isso ou por qual motivo que o filme não explica logo depois o pai chega em casa e encontra o velório da mãe. Diante do corpo da mulher ele jura que fará da garota alguém de quem ela irá se orgulhar, será que ela teria orgulho de ver a filha posando pra Playboy e mostrando a Bunda em rede nacional?

Daí o filme entra em sua segunda fase, quando já na cidade e crescida Carla mora em uma favela com casas de pau a pique e seu pai está se dando bem no emprego, aliás, ele só pode ser um exemplo de que quem luta consegue chegar lá já que começa como continuo e termina o filme como dono do escritório de Contabilidade, nessa segunda fase aparecem os dois únicos atores conhecidos do filme e talvez os dois únicos que possam levar o nome de atores já que a interpretação dos demais parece teatrinho de colégio, Perry Sales que provavelmente estava em decadência e precisando pagar o aluguel faz o empresário picareta que descobre a menina. E pensar que o cara já fez novelas na Globo e foi casado com Vera Fischer em tempos melhores. O outro ator conhecido é Lazaro Ramos que estava em inicio de carreira, quando trabalhar em cinema sério e na Vênus Platinada devia ser apenas mais um sonho. Ele faz o malandro boa praça que ajuda a garota quando ela mais precisava, lembra até de leve seu personagem mais famoso, Foguinho da novela "Cobras e Lagartos”. Claro que hoje em dia deve corar quando comentam sobre esse trabalho. O filme ainda conta com Alexandre Pires, do grupo Só pra Contrariar, na época namorado da dançarina, o pagodeiro totalmente sem naturalidade ainda protagoniza uma das cenas de luta mais falsas que já vi, mas para quem já cantou e chorou de emoção diante de George W. Bush esse filme é uma vergonha menor.

Mostrando uma Bahia onde todo lugar só tem rodas de dança, capoeira e Macumba o filme parece um grande clip, e não posso dizer que é o pior filme nacional porque Xuxa e Didi costumam produzir porcarias no mesmo nível, o problema é que esses dois já possuem um tempo de estrada e ela era apenas mais um desses sucessos de verão com data de validade limitada, tanto que hoje em dia já está indo pro limbo do esquecimento, se tornou apenas mais uma participante de programas de domingo à tarde.

domingo, 25 de maio de 2008

Fortaleza Digital

Até hoje não li “Código da Vinci”, nem sei bem porque, talvez porque na época do hype eu não andava com muito tempo para dedicar a livro ou talvez porque nunca tenha ficado muito empolgado, o fato é que o tempo passou, acabaram fazendo a versão para o cinema, daí vi o filme e não achei tão grande coisa e mesmo sabendo que livros e filmes geralmente são diferentes (que o diga Hitchcock e sua teoria que livros ruins podem gerar excelentes filmes) acabei não tendo urgência em conhecer a obra. Esses dias porém, calhou de outro livro de Dan Brown cair em minhas mãos, no caso “Fortaleza Digital”, a história gira em torno de uma agencia de segurança do governo americano (NSA) que tem como principio espionar as correspondências eletrônicas da população para descobrir planos terroristas ou de sabotagem. O problema é que um ex- agente insatisfeito com a quebra de privacidade que isso pode gerar cria um código de encriptação que o supercomputador da agencia não consegue decifrar, daí começa uma trama batida, cheia de reviravoltas previsíveis e coincidências inverossímeis em que o autor parece não ter o mínimo constrangimento em copiar Sidney Sheldon.

Olhemos o festival de obviedades, Susan a protagonista é a bonita e inteligente chefa do Departamento de Criptografia da NSA que diante de uma chamada urgente de seu chefe vai a agencia no seu dia de folga para que possam tentar desvendar o código. Enquanto isso seu namorado David é enviado a Espanha para encontrar um anel que o ex agente cujo nome era Tankado usava quando foi morto por lá e em que provavelmente consta a chave para o mistério, não precisa ser um gênio para prever que esse anel irá passar de mão em mão e que David acabará descobrindo uma por uma dessas pessoas, aí é que a trama fica extremamente parecida com um livro de Sheldon intitulado “Juízo Final” em que um detetive roda a Europa para descobrir as pessoas que foram testemunhas da queda de um suposto balão metereologico, sem nenhuma pista inicial ele tem que descobrir quem são essas pessoas e onde vivem já que as testemunhas estavam em um ônibus turístico, acontece que outros agentes foram enviados sem que ele soubesse para eliminar essas testemunhas assim que ele as encontrasse até que o próprio detetive passa a ser o alvo, o mesmo acontece com David, a medida que ele vai encontrado as pessoas por quem o anel passou essas pessoas vão sendo mortas uma a uma pelo mesmo assassino que deu fim a Tankado e findo o trabalho esse passa a caçar David, se a originalidade parece pouca acrescente o fato que - a partir daqui tem spoiler, só continue se não se importar em estragar a dita surpresa – quem enviou David é o mandante dos crimes da mesma forma que no livro do meu xará.

Outro problema do livro é de querer colocar a quebra da privacidade das pessoas como algo necessário e que as pessoas da agencia só o fazem para proteger o mundo. Como o próprio Tankado diz se eles são os guardiões “quem guardará os guardiões?” No fim o código é descoberto apenas alguns segundos antes do programa de Tankado liberar todos os segredos da agencia pros Hackers do mundo, todos ficam felizes e ainda temos tempo para mais uma descoberta que não muda nada na história e parece ter sido adicionada apenas para não acabar tudo de forma tão chocha. Trama rasa, personagens de pouco carisma, red shirts*e citações cientificas para dar mais charme (o autor é bom em pesquisa) esses são os ingredientes de “Fortaleza Digital” que se fosse um filme provavelmente seria programado pro Supercine, creio que Código da Vinci siga o mesmo rumo e só ficou tão famoso por mexer com um tema tabu, no caso religião.


* Red Shirts – Personagens que aparecem em séries apenas com a função de morrer, o termo se originou da série Jornada nas Estrelas onde esses personagens usavam camisa vermelha.

sábado, 24 de maio de 2008

Eleições 1989

As eleições de 1989 foram um marco, as primeiras eleições diretas para presidente após a redemocratização ficaram marcadas por ter uma enxurrada de candidatos, 22, e dizem ter sido a eleição que a Globo decidiu. Explica-se, acusam a Globo de ter sido favorável a Fernando Collor, inclusive mostrando no Jornal Nacional as piores partes de Lula (sim, ele já era candidato nessa época) e as melhores do candidato alagoano no debate organizado em conjunto pelas emissoras de TV, outras denuncias viam más intenções nas novelas da época como “Salvador da Pátria”, em que Lima Duarte vivia Sassá Mutema, um cara simples e bem intencionado que se tornava político, mas por sua ingenuidade era manipulado por pessoas inescrupulosas, os petistas diziam que Sassá Mutema seria uma referencia a Lula e o que aconteceria caso ele se elegesse, o fato é que os candidatos das outras coligações também achavam que o personagem lembrava o Lula, mas Sassá Mutema era um personagem simpático e a referencia ao candidato seria positiva, até porque os telespectadores não tinham essa malicia toda para interpretar o enredo, houve reclamação e a emissora teve que fazer algumas mudanças no enredo. Em outra novela intitulada “Que Rei Sou Eu?”, Jean Pierre (Edson Celulari), herdeiro do trono do reino de Avilan, tem que lutar contra os poderosos para conquistar o trono que é seu por direito e que havia sido entregue a um mendigo hipnotizado por Ravengar(Antonio Abujamra), mago da corte, dizem que o personagem seria a personificação de Collor que se autoproclamava Caçador de Marajás, uma campanha subliminar ao candidato. A emissora até hoje nega todas as acusações, obviamente, mas o que se sabe é que se na época a Globo ainda conseguia influenciar em alguma coisa, hoje em dia ela tem bem menos força política, pois a concorrência de outras emissoras é mais significativa e as pessoas estão bem mais informadas e instruídas (o que não impede a eleição de Clodovil e Frank Aguiar, mas isso é outra história).

Visto assim de longe, através de vídeos no youtube aquelas eleições mais pareciam um circo de horrores, tinha todo tipo de maluco, um tal de Marronzinho que deixava Enéas no chinelo em matéria de bizarrice e se a vitória de Collor não foi algo muito agradável, resta o consolo de que uma eleição com Ronaldo Caiado(meu conterrâneo, infelizmente), Paulo Maluf e Afif como candidatos poderia ter um resultado muito pior. Até Silvio Santos tentou de tudo para se candidatar naquela época, comprou a candidatura de um pastor e, como as cédulas já estavam impressas ficava explicando no horário eleitoral que quem quisesse votar nele tinha que marcar no nome do outro candidato, bons tempos aqueles, se ele ganhasse muito provavelmente teriamos Hebe Camargo, Ronald Golias e Gugu Liberato em ministérios e o SBT seria porta voz do presidente, como sua candidatura foi impugnada a Globo fez esse papel até que o “caçador de marajás” começou a afundar no mar de lama de seu governo.

Eu tinha 8 anos na época e não entendia grandes coisas de política, prova disso é que eu torcia por Fernando Collor de Melo, a imagem do sapo barbudo era meio assustadora para uma criança daquela idade, na verdade eu queria mais era que o horário político acabasse logo para ver a novela até porque eu ainda não votava. Dei uma pesquisada para descobrir o que esse pessoal (os candidatos da época) anda fazendo hoje em dia.

Eleições 1989
Fernando Collor de Mello-É senador por Alagoas

Luiz Inácio Lula da Silva-Atual Presidente da República

Leonel Brizola – Faleceu em 21 de junho de 2004 de insuficiência respiratória

Mario Covas – Faleceu em seis de março de 2002, de câncer na bexiga.

Paulo Maluf - Responde por vários processos, mas continua ganhando eleições. Hoje em dia é deputado federal por São Paulo.

Guilherme Afif Domingos – Foi derrotado por Suplicy na eleição pro Senado em 2006, atualmente é Secretario do Trabalho e Emprego de São Paulo.

Ulysses Guimarães – Morreu em acidente de helicóptero em 1992.

Roberto Freire – Atua como Presidente Nacional do PPS e é primeiro - suplente do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)

Aureliano Chaves – Faleceu em 1° de maio de 2003 de falência múltipla dos órgãos.

Ronaldo Caiado – Deputado Federal por Goiás.

Affonso Camargo – Deputado Federal pelo Paraná

Enéas – Faleceu em 2007 de Leucemia

Marronzinho – Se tornou evangélico, edita um jornal on-line e hoje atende como Jamo Little Brown

P.G. - Portador de Esclerose Lateral Amiotrofica, faleceu em 20 de junho de 2002.

Zamir – Até onde consegui apurar continua atuando como empresário em Campo Mourão – PR e andou fazendo alguns investimentos no Acre.

Lívia Maria-Em 2006 entrou com representação junto com o seu partido PHS contra o PSOL e sua candidata a presidente Heloisa Helena por essa ter se intitulado primeira candidata mulher, não conseguiu o direito de resposta solicitado.

Eudes Mattar – É especialista em sustentabilidade, vive de palestras e das aulas na Universidade Santa Ursula no RJ.

Fernando Gabeira – Deputado Federal pelo PV-RJ

Celso Brant – Faleceu em 24 de abril de 2004

Pedreira – Apareceu em 2005 durante os escândalos dos Correios como interlocutor de Mauricio Marinho e esteve na briga para sair candidato pelo PMDB nas eleições de 2006.

Manuel Horta – Ninguém sabe ninguém viu, agradeço se alguém tiver alguma informação relevante.

Candidatos cujas eleições foram invalidadas

Armando Correa – Outro que não se tem mais noticias, era pastor e se não morreu deve estar nesse mesmo caminho.

Silvio Santos – É dono da (por enquanto) segunda emissora em audiência do país e se diverte mudando sua programação ao seu bel prazer, além disse é dono de bancos e diversos outros empreendimentos.



sábado, 17 de maio de 2008

Bulliyng

Carrie, A Estranha, filme que revi hoje deveria ser louvado tanto por ser um excelente filme de terror quanto por tratar de um assunto que talvez devesse uma maior atenção da mídia, o buliyng que, para quem não sabe, são agressões físicas e psicológicas que algumas crianças impõem a outras por algum motivo que torna os segundos diferentes dos primeiros, as agressões podem ser por diversos motivos, a criança ser mais fraca, mais gorda, mais feia, usar óculos ou aparelhos ortodônticos, ter alguma deficiência física entre outros. O caso é sério e pode estar entre os motivadores dos massacres ocorridos em escolas americanas como o que ocorreu em Columbine, enquanto Hollywood parece querer vender a imagem de que os tempos de escola são anos dourados para todos os alunos, sempre é bom lembrar daqueles que passam o primário e o colegial como excluídos.

Falo por experiência própria, sempre fui um menino fraco e raquítico, e estudava em uma escola tipicamente suburbana com garotos de todo tipo, tenho um ex- colega que até matou uma garota alguns anos depois, sofri todo tipo de humilhação e apanhei muito, pois nunca fui muito bom em defesa pessoal, na época tinha vontade de ter poderes para poder me vingar de um por um como fez a Carrie, como Deus não me deu o dom da telecinese acabei não podendo por meus planos em prática, também já tive ganas de matar um garoto que me provocou certa vez, até planejei como faria para envenenar seu lanche, por sorte eu nunca fui um garoto de muita ação, sempre protelei as coisas e isso salvou a vida do rapaz já que com o tempo a raiva passava e eu acabava deixando pra lá. O fato é que nenhuma criança desperdiça a oportunidade de poder abusar dos mais fracos, até eu nunca me constrangi em passar de vitima a algoz quando tinha oportunidade de humilhar os poucos que eram ainda mais fracos que eu, e esses também abusavam quando traziam primos e irmãos para se vingar, tudo corria em um circulo vicioso.

No fim o que parece ser uma bobagem que deve ser cuidado entre os próprios garotos pode trazer seqüelas muitas vezes irreversíveis, tanto para vitimas quanto para “carrascos”. Os primeiros podem crescer com complexo de inferioridade e necessidade de aceitação que os torna adultos limitados e pouco críticos, se isso não parece ser grandes coisas em alguns casos mais graves podem cair em depressão, cometer suicídio ou materializar algum desejo de vingança que dificilmente se dá da forma idealizada e até divertida que vemos em filmes adolescentes. Entre os ditos “carrascos” creio que assassinato de índios, espancamento de empregadas e agressões a travestis podem servir de exemplo do que essas pessoas podem fazer quando se tornarem adultas. Hoje em dia já tenho um relacionamento normal com a maioria dos que me tiranizavam na época, porém sei que não são todas as crianças que conseguem amadurecer o bastante para passar essa página de sua vida e isso pode ter conseqüências trágicas. Mesmo não guardando grandes mágoas sei que muito da minha personalidade está intimamente ligado a esse passado, a dificuldade em olhar nos olhos das pessoas, a necessidade de ser aceito, desconfiança das verdadeiras intenções de quem se aproxima querendo ser meu amigo e individualismo são algumas das características que ganhei de herança disso.


Alguns filmes interessantes sobre o assunto:

Carrie – A Estranha de Brian de Palma-Tendo sido o motivador para o desenvolvimento desse texto o filme(baseado em um romance de Stephen King) mostra uma garota que possue poderes paranormais, ela até tenta se encaixar na turma, mas as garotas a excluem e o fato de viver com uma mãe fanática religiosa não ajuda muito. Depois de ser humilhada no baile da escola ela acaba matando a todos que estão no salão. Extremista? Talvez. Mas não tenho como mentir que sinto certo prazer em vê-la fazendo o carro do John Travolta e sua namorada(autores da armação contra Carrie) dar várias voltas e explodir logo a frente.

Elefante de Gus Van Sant - Inspirado nos muito comuns massacres em escolas norte americanas esse filme mostra de forma quase documental um dia de vários estudantes em uma escola que seria em breve vitima de um desses ataques que tanta comoção causam. Sem julgamentos o diretor vai mostrando todos os personagens, inclusive os assassinos (nerds que vivem sendo atormentados por outros colegas), e deixa livre para cada um tirar suas conclusões sobre o que aconteceu. A cena do Freezer também me deixou um pouco com a alma lavada.

Bem vindo à casa de Bonecas – de Todd Solondz. Um filme difícil de ser encontrado, nunca foi lançado em DVD por aqui e eu só vi há muitos anos atrás na madrugada da Globo. Basicamente, mostra a vida de uma garota feia e desajeitada que é humilhada por todos e que tem como único amigo outro garoto que também é desprezado na escola, os dois não se preocupam em humilhar um ao outro sempre que têm oportunidade. O filme não é engraçado como pode parecer, é na verdade bem ácido como todos os filmes de Solondz e não se importa em mostrar que crianças dificilmente são fofinhas e sociáveis como nos filmes, na verdade elas são bem cruéis.

sábado, 3 de maio de 2008

Julgando um Livro pela Orelha e Outro pelo Conteúdo.



Essa semana li ”A Indústria do Holocausto” de Norman G. Finkelstein e tinha em mente escrever minhas considerações sobre a obra, porém ontem, de bobeira na Livraria Saraiva passei por um livro intitulado "A Volta do Idiota" de Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa, prólogo de Mário Vargas Llosa como bônus, o nome de Llosa envolvido em algo de teor político nunca é um bom sinal, mas como não acho correto julgar o livro pela capa, mesmo que seja uma capa sensacionalista onde aparecem os rostos de lideres sul americanos em peças de quebra cabeças, resolvi dar uma folheada, na orelha do livro um artigo que Álvaro Llosa (que provavelmente tem algum parentesco com o autor peruano do prólogo) escreveu pra Revista Veja (ótimas referencias tem nosso amigo, hem) não me decepcionou, todas as pérolas da direita neoliberal estavam naquele simples artigo, até fico curioso pra saber como conseguiram completar um livro de 240 páginas, já que a orelha por si só consegue contemplar a maioria dos argumentos toscos que estamos cansados de ouvir desse tipo de gente, como não devemos subestimar idiotas (sem trocadilhos) provavelmente eles devem ter um monte de novas estatísticas forjadas e manipuladas para convencer incautos sobre as vantagens das economias de mercado e do bem que as privatizações podem fazer aos países latinos americanos, estão aí as privatizações de FHC que não os deixam mentir, não é verdade? Daí me bateu a dúvida: escrever sobre o livro do Finkelstein? Sobre esse outro livro que nem li? A respeito dos dois? ou sobre o filme da Hannah Montana? Resolvi então escrever só um texto para os dois livros e assim não ficar parecendo que sou monotemático, escrevendo duas vezes sobre livros, mesmo que livros diferentes. Até porque pretendo falar sobre o paradeiro dos candidatos das eleições de 1989 da próxima vez que me lembrar que tenho um blog.

Comecemos então sobre a orelha de "A Volta do Idiota", digo logo que não sou um desses entusiastas de Chavez e da maioria desses populistas da América Latina, considero suas políticas insuficientes e detesto governos que se pautam pelo personalismo, pois isso sempre foi desculpa para tiranos se apossarem da cadeira presidencial e de lá não tirar a bunda, porém o que critico no artigo são a má fé e a desonestidade intelectual de culpar esses governantes por problemas que não foram eles que criaram e que em sua maioria tem como principal responsável governos antecessores que usavam, quase sempre, um verniz democrático, mas nunca se constrangeram em usar a truculência quando era necessário reprimir revoltas ou esmagar adversários. Veja o exemplo da Venezuela, o que os governos anteriores a Chavez fizeram para atender as demandas da parte miserável da população que nunca foi pequena? Quem viu "A Revolução não Será Televisionada" sabe que igualdade social e distribuição de renda nunca fizeram parte do vocabulário da elite venezuelana, que derrubar Chavez atende apenas a interesse em restaurar o poder aos burocratas do petróleo que sempre se refestelaram com as mamatas governamentais e agora choram essa perda. O autor do artigo tem o displante de acusar esses governantes de serem responsáveis por entre outros a fuga em massa de pessoas pra América do Norte em busca de subempregos e pela pobreza da população, como se ambos fossem fenômenos novos e que pessoas não morressem há décadas tentando entrar nos Estados Unidos ilegalmente para viver o sonho americano e como se antes desses governos ditos de esquerda a fartura e prosperidade fossem comuns na Bolívia, Venezuela, Peru e outros países do lado de cá.

Llosa começa o artigo dizendo o seguinte:
"Durante o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores."Faltou, porém, apontar os bem sucedidos exemplos de governos de direita e por fim faltou citar exemplos, além de Cuba, em que foram implantadas essas políticas de bandeira marxista. Pelo que sei a América Latina conviveu quase a totalidade do século XX com políticos de direita, mesmo outros “pai dos pobres” como Getúlio Vargas e Perón eram conservadores e sua fama advém apenas de políticas assistencialistas, nos poucos casos em que governantes de esquerda conseguiram algum destaque a CIA foi muito eficaz em seus planos para tirá-los do poder e colocar tiranos sanguinários no lugar, sendo que Salvador Allende do Chile sendo assassinado em pleno palácio presidencial para ser substituído pelo “dócil” Augusto Pinochet (3200 é o número de mortos e desaparecidos durante seu governo segundo institutos de direitos humanos) é o caso mais emblemático.

Quanto à "Indústria do Holocausto" foi uma grata surpresa descobrir que eu não estava sendo injusto quando desconfiava que judeus capitalizam em cima do Holocausto. Já estava cansado de filmes, livros, reportagens todo tempo nos lembrando do martírio do pobre povo descendente de Abraão nos campos de extermínio de Hitler, enquanto que outros massacres são esquecidos ou ignorados, Finkelstein não é nenhum neonazista idiota ou um revisionista limitado como se poderia esperar, mas alguém cuja família foi quase toda exterminada em campos de concentração, ele não nega o holocausto, o que ele critica é a forma sensacionalista como fazem sua memória. Ressalta que as indenizações, conseguidas através de chantagem contra banqueiros suíços e industriais alemães, apesar de justas são inflacionadas e não estão indo para o bolso de quem deveria (ou seja, as vitimas) mas para organizações judaicas que não costumam ter pressa em distribuir todas essas fortunas, apenas em gastar com museus, monumentos e pagamentos de honorários a seus colaboradores, questiona ainda o fato dos Estados Unidos terem boa vontade em apoiar os judeus em suas ações mas não possuem o mesmo ímpeto para indenizar as vitimas da escravidão, os índios que tiveram antepassados dizimados durante a conquista do oeste, reconstruir paises que foram destruídos em suas guerras ou ainda devolver a esses mesmos judeus dinheiro da época do holocausto que ficaram perdidos em seus bancos.

O autor utiliza se de dados em sua maioria com fontes nos rodapés do livro para provar que a indústria do holocausto transformou o sofrimento de milhões de vitimas inocentes em uma ideologia que serve para justificar a perseguição contra os palestinos e que procura transformar o evento em “O Holocausto” minimizando todos os outros genocídios que já ocorreram e ainda ocorrem e esquecendo que não só eles sofreram perseguição de Hitler, além deles, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová e todas as raças fora dos padrões dos nazistas foram levados a campos de concentração. As criticas ao livro dizem que ele é perigoso pois pode incitar movimentos anti-semitas, mas não refutam seus argumentos. Ora, quem deve cuidar dos neonazistas é a policia, isso não impede que denúncias sejam feitas para minimizar os artifícios dos sionistas.